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Na contramão da balança, vestuário importa 3,7% mais no ano

Na contramão da balança, vestuário importa 3,7% mais no ano

As importações de vestuário têm se comportado na contramão da dinâmica recente da balança comercial brasileira. De janeiro a julho, enquanto as compras totais do exterior caíram 19,5% em valor em relação ao mesmo período do ano passado, as importações do setor avançaram 3,7%. No mesmo intervalo, entre 2013 e 2014, as compras de vestuário haviam crescido 8,4%. Em peso, avançaram 11,6%.

A China continua sendo o principal fornecedor, respondendo por 64,4% do total de US$ 1,5 bilhão adquirido no período. Três de seus vizinhos no sudeste da Ásia, contudo, vêm abastecendo cada vez mais o mercado brasileiro. A participação de Vietnã, Camboja e Bangladesh nas importações de vestuário do país passou de 11,4% nos primeiros sete meses de 2014 para 12,9% no mesmo intervalo deste ano. A análise leva em conta os capítulos 61 e 62 da tabela NCM e os dados disponibilizados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O aumento das importações, para especialistas, é reflexo das pressões de custos a que as indústrias têxtil e de vestuário estão submetidas também neste ano e que têm dificultado ganhos de produtividade mesmo diante da desvalorização do real. A diversificação de fornecedores, por sua vez, é uma consequência do crescimento dos setores calçadista e têxtil em vizinhos da China nos últimos anos.

Levantamento da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), feito a pedido do Valor, mostra que os preços médios em dólar das quatro origens caíram entre o primeiro semestre de 2014 e o de 2015. Os produtos mais baratos ainda são os chineses, valendo US$ 15,2 por quilo importado – valor 7,2% inferior à média registrada entre janeiro e junho do ano passado.

O preço médio dos artigos de vestuário vindos de Bangladesh, que chegou a US$ 18,7 por quilo, foi o que mais recuou no período, 8,5%. Camboja e Vietnã tiveram retrações de 6,9% e de 4%, respectivamente. “Além do preço, a qualidade e o prazo de entrega também fazem diferença na escolha do fornecedor”, diz Daiane Santos, economista da Funcex.

Em um momento em que a recessão da economia se manifesta na balança comercial através de uma retração forte das importações, o crescimento das compras de vestuário do exterior poderia ser uma boa notícia, um indicativo de que haveria “algum dinamismo” no setor, ressalta Daiane. O problema é que a queda na produção do segmento de artigos de vestuário e acessórios, verificada desde 2013, só se aprofundou neste ano. Nos 12 meses encerrados em maio, ela foi 6,6% menor do que no período imediatamente anterior. “O câmbio não foi suficiente para tornar os produtos brasileiros mais competitivos”, diz

O diretor de “supply chain” de uma grande varejista, que preferiu não ser identificado, define a negociação com os fornecedores brasileiros atualmente como um “cabo de guerra”. “Eles sabem que precisam de preço para competir com os importados, mas também querem repassar os aumentos nos custos de insumos – inclusive os importados, já que muitas trazem tecidos e fibras de fora”, comenta.

Dentro da rede há um esforço crescente para substituir os produtos estrangeiros acabados por nacionais, inclusive com importação de insumos para produção própria, através de parcerias com tecelagens locais, “que em outros momentos estariam localizadas em outros países”.

O movimento, entretanto, ainda não foi suficiente para reduzir de forma significativa a participação das mercadorias vindas de fora no mix de produtos, que hoje respondem por quase 50% de tudo o que é vendido. Dessa fatia, 80% é trazido da China, que consegue entregar produtos de qualidade a preços competitivos, conforme o executivo. “Bangladesh ainda é muito focada no [vestuário] commodity, mas também temos comprado mais de lá.”

O efeito da substituição de importações deve aparecer melhor na balança comercial do setor no segundo semestre, acredita Ulrich Kuhn, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex), já que o dólar mais caro inibe as compras dos intermediários que costumam abastecer o pequeno varejo. “O especulador, para quem preço é muito importante, vai deixar de importar”, avalia.

A indústria e o grande varejo, que compram no exterior o que o país não produz, ou faz com menor qualidade – jaquetas e outros artigos de inverno, por exemplo -, devem continuar importando, mesmo com preços mais altos, e de cada vez mais países. “A diversificação é um caminho natural. Além de Bangladesh, Vietnã e Camboja, Índia, Indonésia e países do norte da África estão brigando para tirar mercado da China”, diz Kuhn.

Fernando Pimentel, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit), ressalta que o realinhamento de diversas moedas ante o dólar e o aumento da inflação no Brasil neste ano – “quatro vezes a média mundial” – têm corroído a competitividade que a indústria de vestuário nacional ganha com a desvalorização do real. “O produtor perde esses ganhos com o aumento dos custos de matéria-prima”, diz.

A queda das importações observada entre outros semiduráveis, duráveis e em bens de capital, afirma Kuhn, da Sintex, não foi resultado de ganho expressivo de competitividade dos similares nacionais. “Foi a queda da demanda que derrubou esses números. ”

Para que o produto nacional possa concorrer com o importado, diz Pimentel, o setor precisa de reformas estruturais, que reduzam a burocracia e a carga tributária e que contemplem estratégias de crescimento de longo prazo.

Fonte: textileindustry

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